88% das mulheres relatam aumento do assédio e da violência, nas ruas de São Paulo

8 de março de 2021

No trabalho, assédio moral, preconceito e discriminação. No transporte público, assédio sexual e furto. Em casa, dupla jornada, tripla jornada, sobrecarga emocional. Por todos os lados, altas taxas de violência física e psicológica. Parece exagero, mas é a realidade brasileira.

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a Rede Nossa São Paulo, em parceria com o Inteligência em Pesquisa e Consultoria (IPEC), empresa do Ibope Inteligência, lançou a quarta edição da pesquisa Viver em São Paulo: mulher. O estudo apresenta dados da percepção da população paulistana acerca de questões como assédio, desigualdade de oportunidades, divisão de tarefas domésticas e cuidados com filhas e filhos. Os dados são alarmantes.

Um terço das moradoras da cidade de São Paulo diz que já sofreu preconceito ou discriminação no ambiente de trabalho por ser mulher. Ao todo, 35% das paulistanas, que corresponde a 1.974.350 mulheres, já foram vítimas de discriminação, segundo levantamento.

A vereadora Cris Monteiro (Novo/ SP), foi uma das debatedoras do evento e iniciou sua fala explicando a importância da celebração do Dia Internacional da Mulher. “Segundo relatos a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. O local tinha instalações precárias e a data do ocorrido marcou o Dia Internacional da Mulher. A partir daí tantas outras lutas aconteceram pelas conquistas de direitos da mulher, mas ainda é só o começo”, enfatizou a parlamentar.

“A pesquisa mostra um pouco de frustração porque revela como nossa cultura avança em passos lentos. Quando a gente fala do preconceito e discriminação no ambiente de trabalho mostra que a mulher está ocupando espaço de poder, onde ela compete e se destaca com outros de seus pares e, muitas vezes, eles são brancos, mas ela ainda tem um grande obstáculo a superar que é esse preconceito ou discriminação”, afirmou Carolina Guimarães, coordenadora da Rede Nossa São Paulo.

“Acho fascinante ver o resultado dessas pesquisas. Precisamos entender a diferença entre preconceito e discriminação. O preconceito é inerente ao ser humano, a discriminação é uma escolha. Precisamos acabar com a discriminação contra a mulher. Temos a oportunidade de fazer de fato uma mudança na sociedade, de construir alianças com os homens e aí sim, alcançar a tão sonhada igualdade de direitos”, completou a vereadora Cris Monteiro.

Outros dados importantes também foram apontados no levantamento. O aumento generalizado na percepção dos casos de assédio sexual e violência contra a mulher é um dos aspectos reforçados pela pesquisa, que também mostra a vulnerabilidade das mulheres nos espaços públicos da cidade. São elas que mais sofrem com o medo de ser vítima de diferentes tipos de violências, do roubo, furto, assédio ou estupro. Mais de 3,4 milhões de paulistanas já sofreram algum tipo de assédio no seu dia a dia. É por motivos como estes que aumentar as penas contra os crimes de violência contra a mulher se consolida como ação prioritária no combate à violência doméstica e familiar.

O transporte público é o local em que a maioria das mulheres (52%) acreditam que correm o maior risco de assédio. As mulheres que possuem Ensino Médio formam a maioria, 59% do total. A rua aparece como segundo lugar mais perigoso na percepção feminina.

Além das atividades laborais, há um trabalho invisível, pouco valorizado e não remunerado que historicamente foi atribuído às mulheres. A pesquisa, portanto, evidencia a carga mental das mulheres e enumera as já conhecidas diferenças de responsabilidade entre elas e eles no ambiente familiar. Embora eles reconheçam que elas são as responsáveis pela maioria das atividades avaliadas, a percepção delas é muito mais acentuada do que a deles, reforçando a importância da desconstrução dos estereótipos que permeiam o papel do homem e da mulher no cotidiano doméstico.

Além disso, 63% das mulheres disseram que se sentem sobrecarregadas com as tarefas de rotina. Entre os homens, apenas 35%. Além disso, para cuidar da casa ou da família, 52% das mulheres tiveram que deixar algum estudo e 53% tiveram de abrir mão de algum trabalho ou promoção. Entre os homens, os números foram de 33% e 24%, respectivamente.

“Foi trabalhando na iniciativa privada que entendi a diferença entre Diversidade e Inclusão. A diversidade é trazer a pessoa para a festa, já a inclusão é convidá-la para dançar”, encerrou a vereadora Cris Monteiro.

Pesquisa completa no site nossasaopaulo.org.br

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