O custo da evasão escolar no Brasil é de R$214 bilhões por ano

30 de julho de 2021

Há muitos anos o Brasil enfrenta o desafio do abandono e da evasão escolar. Nossos jovens desistem dos estudos por inúmeros motivos e os prejuízos econômicos e sociais para o país são profundos. Em 2019 o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PnadC) e concluiu que possuímos aproximadamente 3,2 milhões de jovens com 19 anos e apenas 2 milhões deles (63,5%) concluíram o Ensino Médio. As perspectivas de conclusão dos estudos na idade certa se tornam ainda mais desafiadoras ao observarmos que dos 1,2 milhão de jovens que ainda não finalizaram a Educação Básica, 62% (720 mil) já nem frequentam mais a escola e, desses, mais da metade (55%) parou os estudos ainda no Ensino Fundamental.

As consequências do abandono escolar durante a adolescência são muito prejudiciais ao longo da vida. As chances de se ter uma saúde mais frágil, menor renda e se envolver com criminalidade são maiores de acordo com a pesquisa “Consequências da Violação do Direito à Educação. Além disso, os impactos na coletividade também ocorrem.

Pesquisadores do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) estimam que o custo da evasão escolar no Brasil, isto é, o custo aos cofres públicos de jovens que não concluem a educação básica é de R$214 bilhões por ano. A pesquisa feita em julho de 2020 tinha como expectativa o país chegar até dezembro do mesmo ano com o saldo de 575 mil jovens de 16 anos sem concluir a educação básica, o que corresponde a pouco mais que a população da cidade de Florianópolis.

A necessidade de auxiliar financeiramente na renda familiar, a falta de interesse pelo ambiente escolar, a dificuldade no aprendizado, a dificuldade de acesso à escola, a gravidez precoce, o bullying e a falta de incentivo dos pais e responsáveis são fatores que influenciam na desistência do aluno. Trata-se de um processo lento de desengajamento do estudante, isto é, ele leva um tempo até deixar de ver sentido em estar frequentando aquele ambiente, não é uma decisão que se toma de um dia para o outro.

Infelizmente, a expectativa para os próximos anos é ainda pior tendo em vista as consequências da paralisação das aulas em decorrência da pandemia do coronavírus. As redes privadas de ensino se saíram melhor na oferta de atividade de ensino remoto em relação aos alunos da rede pública.

“Sobre a volta às aulas, temos que pesar o risco da vida e o risco da perda do futuro. No início da pandemia de COVID-19, onde não tínhamos informações, foi correto fechar as escolas, mas com o tempo aprendemos que as crianças são pouco infectadas e transmitem pouco a doença, além do número de óbito ser muito pequeno. O risco existe, mas uma criança com gripe, pneumonia, entre outras doenças, também corre riscos. A escola deveria ter sido a primeira a voltar a funcionar, claro que com protocolos sanitários e o máximo de proteção possível. A maior parte das nossas escolas tem estruturas modestas, mas funcionam bem”, enfatizou Claudia Costin. 

Em pesquisa realizada pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo no ano de 2019 constatou-se que o estudante sonha com uma escola que faça mais sentido, com um ambiente escolar onde seja possível escolher o que e como aprender. 87% dos estudantes da rede estadual desejam receber orientações e ajuda para descobrir suas vocações, sonhos e fazer escolhas de vida; 91% dos estudantes acham que é importante ou muito importante aprender a usar novas tecnologias.

O evento online “Combate à Evasão Escolar agora é lei”, organizado e coordenado pela vereadora Cris Monteiro (NOVO), teve o intuito de trazer para o debate a importância da sanção da Lei de autoria da parlamentar sobre o Combate à Evasão Escolar.  As convidadas foram Claudia Costin- cofundadora do movimento da sociedade civil, Todos Pela Educação e Integra, desde o final de 2020, o UIL – Instituto para Aprendizagem ao Longo da Vida – Institute for Lifelong Learning – da Unesco e o Conselho da Qatar Foundation e Naira Sathiyo- Advogada pela PUC-SP e pós-graduanda em Gestão Pública pelo Insper e assessora de educação do mandato da Vereadora Cris Monteiro na Câmara Municipal de SP.

O projeto de Lei propõe ações para deixar as aulas mais atrativas aos alunos e aumentar a frequência à escola como, por exemplo, maior uso da tecnologia na sala de aula. Outra ideia é utilizar a inteligência artificial para criar mensagens SMS de incentivo aos alunos e de acompanhamento das atividades. Com base nas respostas ou na falta delas, é possível observar o comportamento dos alunos e pensar em estratégias de engajamento. O PL propõe ainda visitas aos alunos que abandonaram a escola ou estão prestes a deixar de frequenta-la para verificar os motivos da evasão.

O PL propõe também uma versão moderna de acompanhamento vocacional dos alunos, chamado no texto de “Projeto de Vida”. O objetivo é que os professores ajudem os estudantes a identificar suas aspirações, interesses e metas e também conheçam as possibilidades profissionais e de estudo disponíveis após a conclusão do ensino básico. É muito importante que a escola se interesse pelo futuro do aluno e esteja mais próximo dele, ajudando-o a planejar sua carreira. Também se faz necessário que as famílias sigam mais de perto as atividades escolares dos estudantes e de seus planos para o futuro.

“É muito importante tornar a profissão do professor mais atrativa, atraindo gente e retendo talentos. Eu defendo a escola em tempo integral, com professores dedicados a uma única escola, com melhores condições de trabalho e salário. E por fim é muito importante mudar a forma como a Universidade prepara os professores, é necessário que seja mais profissionalizante”, comentou Claudia Costin.

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