Violência Psicológica ainda é o maior problema no que diz respeito à violência contra a mulher

23 de março de 2021

A série São Paulo Mulher teve como tema nessa 2ª feira (22/03), São Paulo e a violência contra a mulher. Sob a coordenação da vereadora Cris Monteiro (NOVO/SP), o debate contou com a participação de Sueli Amoedo, líder nacional do Projeto Justiceiras e Carolina Guimarães, coordenadora da Rede Nossa São Paulo.

Dando início ao debate, Carolina Guimarães apresentou dados da 4ª edição da Pesquisa Viver em São Paulo: mulher, organizada pela Rede Nossa São Paulo, em parceria com o Inteligência em Pesquisa e Consultoria (IPEC), empresa do Ibope Inteligência. O estudo apresenta dados da percepção da população paulistana acerca de questões como assédio, desigualdade de oportunidades, divisão de tarefas domésticas e cuidados com filhas e filhos. Os dados são alarmantes.

Um terço das moradoras da cidade de São Paulo diz que já sofreu preconceito ou discriminação no ambiente de trabalho por ser mulher. Ao todo, 35% das paulistanas, que corresponde a 1.974.350 mulheres, já foram vítimas de discriminação, segundo levantamento.

“O homem anda de forma linear e a mulher em zig zag, sempre procurando um lugar mais seguro, além das multitarefas diárias”, disse Carolina Guimarães.

Já Sueli Amoedo apresentou as ações do Projeto Justiceiras, que vem realizando um trabalho reconhecido em defesa da mulher vítima de violência. Com o aumento dos casos de agressão em tempos de pandemia, o Projeto, idealizado pela promotora de Justiça de São Paulo Gabriela Manssur, fundadora do Instituto Justiça de Saia, em parceria com a advogada Anne Wilians, fundadora do Instituto Nelson Wilians e João Santos, fundador do Bem Querer Mulher, surge para apoiar e acolher mulheres que buscam sair da violência e reconstruir suas vidas. 

A plataforma já conta com mais de 5 mil voluntárias nas áreas do Direito, Psicologia, Assistência Social, Médica e uma rede de apoio com o objetivo de acolher mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Já foram atendidas 4000 mulheres em todo o Brasil. 

O projeto tem a missão de eliminar a dificuldade de deslocamento para buscar ajuda e visa contribuir com as informações necessárias para que a mulher possa denunciar o agressor e lutar pelos seus direitos de defesa e proteção sem sair de casa.

“O projeto Justiceiras vem cumprir o papel que o Estado não está cumprindo como deveria. Hoje um dos principais tipos de violências é a psicológica e em muitos casos elas não são sequer contabilizadas. Se a mulher sofre uma violência psicológica, ela tem dificuldade de se defender dos outros tipos de violência”, reforçou Sueli Amoedo.

Diversas ideias surgiram a partir do encontro. Uma carta compromisso será elaborada pela vereadora Cris Monteiro, a partir dessa série de eventos. O objetivo da carta é dar andamento ao que foi discutido, cobrando soluções dos órgãos competentes.

A partir dessa live, surgiram demandas como:

– Maior envolvimento da Guarda Civil Metropolitana na questão da violência contra a mulher- imputar responsabilidade ao 153- o município precisa se responsabilizar.

– Sugestão de Projeto de Lei sobre gratuidade no transporte público para mulheres vítimas de violência- muitas mulheres não têm como ir até algum local denunciar, porque os agressores as deixam totalmente sem dinheiro.

– Unificação dos dados de violência- são vários os órgãos responsáveis, nas 3 esferas, e eles não se conversam.

– Capacitação dos funcionários das delegacias para que possam atender as mulheres vítimas de violência de forma mais humanizada. Muitas mulheres são desencorajadas a denunciar, pela forma como são tratadas.

– Ampliar a divulgação dos canais de denúncia de violência contra mulher. A grande maioria prefere fazer as denúncias de forma online e através de aplicativos.

– Melhorar a zeladoria da cidade, no que diz respeito à iluminação, calçadas acessíveis, ciclovias seguras, entre outras ações.

“Vamos elaborar essa carta compromisso com tudo o que for discutido nesses encontros e trabalhar pelo empoderamento das mulheres na cidade de São Paulo”, finalizou a vereadora Cris Monteiro.

Pesquisa completa no site nossasaopaulo.org.br / Contato Justiceiras: (11) 99639-1212

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