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A política que incita violência nos representa de fato?

7 de novembro de 2022

Caro(a) leitor(a), escrevo este artigo há poucos dias do final do 2º turno das eleições, um dos processos eleitorais mais disputados desde a redemocratização do país. É desnecessário reafirmar que existe uma enorme tensão em torno do pleito – algo que não tínhamos vivido até então -, alimentada pela desgastante polarização entre os dois candidatos à presidência. Diante disso, como figura pública e política, mas também como cidadã e observadora, me pergunto: O que nos tornamos como país?

Nossos ânimos estão tão acirrados a ponto de interferir nas nossas relações pessoais: a tensão pela defesa de um ou outro candidato entrou nas nossas casas, no trabalho e nos círculos de amizade. Um conhecido me contou que foi bloqueado por uma amiga ao saber que ele não votaria no candidato dela. Li nos jornais que uma mulher foi demitida pelo patrão porque fez críticas ao candidato dele. Já um outro amigo teve seu carro todo arranhado porque tinha o adesivo do seu candidato. E, além do arranhão, o vândalo deixou um bilhete: ‘Para você aprender a votar’.

Nos noticiários vejo que os templos religiosos estão sendo atacados e fiéis se voltando contra os líderes. Isso sem falar nas mortes ocorridas entre eleitores que pensavam diferente. E agora um ex-deputado lança granadas e atira em policiais que foram à sua casa para cumprir um mandado de prisão.

Por que, e como chegamos até aqui? Que fenômeno explica tamanha desavença? É assustador pensar que isso só está começando. Estamos nos atacando e esquecendo que essas emoções são trazidas pelos nossos líderes políticos.

Esses homens que estão nos pedindo o voto estão nos deixando descontrolados, brutos e truculentos. Onde vamos parar? Quem pode ajudar a nação a olhar para si mesma e enxergar que a sociedade é o conjunto de ações individuais? Antes que mais desgraças aconteçam, precisamos parar e pensar sobre nossos próprios atos.

Recentemente me reaproximei de um familiar com quem já não conversava há anos. Ele manifestou o seu voto e começamos a trocar impressões sobre as eleições. Notei que nossa conversa estava tomando um rumo de impaciência e confronto. Eu escrevi a ele: não podemos nos perder de novo, por isso não vamos deixar que esse assunto seja a razão de um novo afastamento entre nós. Ele topou e eu fiquei aliviada. É disso que estou falando, colocar a razão em jogo e elevar o debate.

O frenesi político não pode se interpor em nossas relações de afeto, amizade e amor. Será que somos, como povo, tão violentos assim? E, agora, com o estopim provocado pela insanidade dos discursos dos candidatos,  resolvemos colocar para fora toda essa brutalidade atacando e ofendendo o vizinho? Vamos cancelar? Bloquear? Quero acreditar que não!

Esse país não cabe em mim, essa violência não me representa. Esse desassossego nos adoece e tira o que é mais essencial, que é o bem comum, a solidariedade, a generosidade e a compaixão.

Eu tenho certeza que este momento tão delicado da nossa democracia será objeto de estudos e contado nas escolas dentro de alguns anos, como um momento de muitas incertezas, violência, rupturas e tristeza. Quero acreditar que terá passado e será isso mesmo: história.

Leia este artigo também no Jornal Gazeta São Paulo clicando aqui!

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