Educação e Liberdade:

14 de abril de 2021

Sempre falamos o quanto a Educação é libertadora, e de fato, ela é. Isso não é novidade, muito menos quando aplicada a grupos vulneráveis, como o público feminino.

Amartya Sen tem o conceito de Liberdade dividido entre: a Constitutiva, que corresponde às capacidades e condições que os indivíduos têm de evitarem, por conta própria, determinadas privações; e a Instrumental, correspondendo a liberdade que o indivíduo possui de viver da maneira que desejar.

A falta de Educação influência nas Liberdades Constitutivas fazendo com que mulheres tenham menos acesso ao Mercado, mais dificuldade de acessar serviços públicos, menos oportunidades dentro da sociedade e sejam mais dependentes de outros adultos ou crianças letradas para resolver coisas simples do dia a dia, como uma simples ida à farmácia.

A falta de investimentos em educação, desde a primeira infância, impactará nas mulheres ao longo de sua vida. E, por consequência, no desenvolvimento do nosso país. Sem Políticas Públicas eficientes de Educação de Qualidade, as mulheres continuarão presas.

Já a não promoção de Políticas Públicas de Zeladoria Urbana, Saneamento Básico e Saúde, incidem diretamente na Liberdade Instrumental de mulheres de irem à escola. Algo tão básico como não ter água encanada ou sistema de esgoto já é o suficiente para que, de acordo com Amartya, as mulheres não sejam livres. O levantamento feito pela BRK Ambiental (2020) revelou que o desempenho de meninas sem acesso a banheiro foi inferior em 46 pontos da média do Enem, quando comparado à média dos estudantes brasileiros. Seria possível reduzir em até 10% o atraso escolar dessas estudantes caso tivessem condições sanitárias melhores.

Pensar em Liberdade através da Educação, vai além de um livro. Liberdade engloba uma série de fatores que contribuem para o desenvolvimento das capacidades individuais de indivíduos inseridos numa mesma sociedade. A rua sem iluminação priva o deslocamento até o curso noturno; a calçada com buracos, priva o deslocamento de mulheres deficientes até a escola ou até a creche dos filhos.

Precisamos de mulheres livres para ser o que quiserem, e estarem aonde quiserem.

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