fbpx

Nudge na educação

29 de janeiro de 2026

Sou a prova de que a educação transforma, mas sei que sou exceção: o apoio da minha família, mesmo com poucos recursos, insistiu na minha educação e foi isso que me abriu as portas do mercado financeiro e da política. O problema é que nem toda família consegue segurar essa barra sozinha – os dados de 2024 são assustadores: 8,7 milhões de jovens estão fora da escola ou não concluíram o ensino médio. O custo desse abandono é alto demais: um jovem fora da sala de aula custa quatro vezes mais do que educá-lo, ficando mais exposto à criminalidade e à baixa renda. Na era digital, o futuro não pode ser uma questão de sorte! Mas como viramos esse jogo?
Nudge: o empurrãozinho que faz toda a diferença
A crise educacional é global e forçou governos e pesquisadores a buscarem soluções que fossem inovadoras, rápidas e, acima de tudo, baratas. É aqui que entra o conceito de “nudging" – pequenos estímulos comportamentais que dão aquele empurrão para a decisão certa. É uma ferramenta estratégica que já provou sua eficácia na retenção escolar ao redor do mundo.
Por isso, assim que cheguei à Câmara Municipal de São Paulo, meu primeiro projeto foi a Política Municipal de Prevenção ao Abandono e Evasão Escolar que há de mais moderno em inteligência artificial para detectar padrões de risco antes mesmo de o aluno desistir. Quando as faltas começam a subir, pais e alunos recebem um SMS automático. Esse alerta, somado a visitas domiciliares, nos ajuda a entender o que está acontecendo de verdade. Hoje, as secretarias de Educação, Saúde e Assistência Social trabalham juntas para resgatar esses jovens.
O que dizem os dados
Os resultados são incríveis! O absenteísmo prolongado caiu 95% e o risco de evasão entre meninos e alunos com notas mais baixas foi reduzido em quase um terço.É uma alegria dizer que minha Lei deu tão certo que já foi replicada por mais de 100 cidades no Brasil, com potencial para impactar 5 milhões de alunos. Afinal, se funciona em São Paulo, funciona no país inteiro!
Olhando para fora, o Banco Mundial analisou 21 estudos em 11 países e confirmou que as intervenções que unem várias frentes são as mais potentes. No Malawi e na Zâmbia, as transferências de renda elevaram as matrículas em 12%. No Quênia, o programa “Cash Plus" reduziu a evasão causada pela gravidez na adolescência, e em Serra Leoa, o engajamento direto com professores “influenciadores” melhorou a frequência escolar em 24%.
Esses estímulos são valiosos porque custam quase nada e são fáceis de implementar. Ainda assim, o nudge não faz milagre sozinho. Ele depende de uma escola que realmente entregue conteúdo na outra ponta – que cultive o interesse dos alunos. Esse tipo de iniciativa não substitui o investimento em infraestrutura, mas faz que cada real investido na educação renda muito mais, tanto financeira quanto socialmente. Manter o aluno na escola é o primeiro passo para a transformação e – acredite – é sempre um excelente “negócio"!

Receba nossas

novidades por

e-mail

    Siga a Cris nas redes:

    © 2025 Cris Monteiro. Todos os direitos reservados.