Viver sozinho: problema ou solução?

19 de abril de 2021

O Estatuto do Idoso assegura à pessoa idosa o direito de ter uma moradia digna, acompanhada ou não dos seus familiares. Morar sozinho na velhice pode ser uma conquista, pode ser sinônimo de liberdade, de autonomia e de independência.  Geralmente, pensamos que morar sozinho é um castigo, uma privação e que pessoas idosas que moram sozinhas não são felizes. Isso faz parte do passado. Com o aumento do número de pessoas idosas na sociedade, é cada vez mais frequente encontrarmos pessoas vivendo nesta condição e extremamente satisfeitas e realizadas. O morar sozinho é uma opção da pessoa idosa e, portanto, deve ser respeitado por sua família e amigos.

Na manhã dessa 2ª feira (19/04), o encontro Envelhecimento em Pauta, abordou o tema Viver sozinho: problema ou solução. O evento foi organizado pela vereadora Cris Monteiro -Novo/SP e pelo OLHE- Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento, contou com a participação de palestrantes bastante renomados no assunto, como Braz Aranha– Supervisor do Programa Acompanhante de Idosos (PAI) UBS Jd. Campinas/ Parelheiros,  Dr. Sergio Paschoal– Médico Geriatra, Associado do OLHE e Membro do canal  “O que rola na Geronto” e Marie Claire Esckenazy- Aposentada, Idosa que mora sozinha e Ativista na área do Envelhecimento. A moderação foi da presidente do OLHE, Dra. Marília Berzins.

Dos mais de 1,8 milhão de idosos da cidade de São Paulo, 290.771 (16%) vivem sozinhos, sendo 22.680 deles com 90 anos ou mais. O número de idosos completamente solitários na capital paulista: mais de 8 mil, por diferentes razões, não têm a quem pedir ajuda caso precisem. Eles não contam com uma rede de suporte social ativa e eficiente.

Esses dados tendem a aumentar nos próximos anos devido a redução da taxa de natalidade, aos casais que vêm optando por não ter filhos e a expectativa de vida que vem aumentando na nossa população.

As mudanças refletem as escolhas feitas ao longo da vida, que retrata um exercício de autonomia, mas também das novas condições socioeconômicas desfavoráveis presentes no nosso país. Um país que não se preparou para cuidar adequadamente de tantas pessoas idosas sozinhas.

Segundo Dr. Sergio Paschoal existe uma grande diferença entre morar sozinho e viver sozinho. O idoso que mora sozinho pode ter uma rede social de apoio, estar sempre em contato com outras pessoas, ter vínculos familiares ou com a vizinhança, já a pessoa que vive sozinha, sofre com o isolamento, com a solidão, não tem com quem contar, caso precise.

É muito importante que vizinhos, amigos e familiares se disponham a ajudar. Muitos idosos precisam de ajuda na medicação que usam, no pagamento de contas, para ir a consultas que não puderam ser desmarcadas ou adiadas, nas compras do mercado e para colocar crédito no celular ou aprender a manusear corretamente o celular. Videochamadas, áudio e mensagens de textos podem ajudar muito no momento de solidão.

“Dados da Secretaria Municipal da Saúde da cidade de São Paulo, mostram que mais de 57 mil pessoas ainda não tinham retornado aos postos de vacinação para tomar a segunda dose da CoronaVac contra a Covid-19 (dados de 7/04); 26 mil com idades entre 90 e 80 anos. Para o secretário da Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, a maior parte dos casos que não retornou para tomar a segunda dose é de idosos que moram sozinhos e/ou têm problemas de saúde. A Secretaria afirmou que agentes de saúde estão passando de casa em casa para encontrar esses idosos e alertando sobre a importância da segunda dose”, reforçou a vereadora Cris Monteiro.

O viver sozinho pode ser um problema, mas também pode ser uma solução, no entanto é importante levar em conta alguns pontos fundamentais, como: condicionamento físico ou mental, mobilidade, situação financeira, uma rede de apoio como o PAI, familiares e vizinhos e os vínculos significativos com familiares e amigos. O idoso não pode se sentir sozinho, mas é importante que o seu espaço seja respeitado.

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